Limites, sim, mas de acordo com a idade

Dizer não para os filhos pode ser bem difícil, principalmente quando  eles são menores,  já que o entendimento dos pequenos nem sempre é claro e tudo pode terminar em birra e chororô. Por isso, é importante estabelecer limites, mas não adianta fazer um discurso sobre os perigos do fogo para um bebê de apenas 8 meses, que mal sabe falar.

“É preciso ensinar as crianças a lidar com a renúncia desde pequenas, mostrar que nem tudo é possível”, lembra a psicanalista e professora da Faculdade Salesiana, Darlene Angelo Tronquoy. Mesmo antes do primeiro ano de vida, as ações maternas e paternas já conseguem apresentar as limitações. Se quiser mamar, por exemplo, mas a mãe estiver ocupada com trabalho, ela deve ser firme e demonstrar que, naquela hora, aquilo não é possível.

Depois, aos poucos, o filho amadurece e compreende melhor, tendo noção da autoridade dos pais. “À medida que a criança vai crescendo, ela entende a linguagem de uma forma mais clara e você pode começar a conversar”, afirma a psicóloga, Angelita Scardua.

Certo e errado

Quando ainda estão na faixa dos 4 ou 5 anos, os pimpolhos não têm noção exata do que é certo e errado e, por conta disso, podem não compreender as imposições dos pais e considerá-las sem fundamento ou exageradas. Não dá para esperar que a criança encare a situação da mesma forma que os adultos. Ela constrói isso a partir do relacionamento com quem está cuidando dela.

Pais de dois filhos com quatro anos de diferença, a coordenadora de marketing Luciana Zucoloto de Menezes e o arquiteto Anderson Fioreti de Menezes conseguem perceber bem como deve ser a diferença de postura. Como trabalham muito, eles se preocupam em deixar claro para os filhos que são eles quem fazem as regras.

A mais velha, Gabriela, 7 anos, é mais questionadora e, às vezes, quer entender melhor o porquê do “não”. Já Miguel, 3, faz manha quando é contrariado, mas o pai e a mãe insistem na ordem e até o colocam no cantinho para “pensar um pouco”. “Com diálogo, mostramos que estamos firmes nas decisões. Vemos que dói neles, mas, quanto mais você impõe limites, mais confiantes eles ficam porque percebem que têm alguém cuidando deles”, acredita Luciana.

Depois de adulto

A falta de limites e a permissividade dos pais na infância podem gerar um problema futuro, criando um adultos com “intolerância à frustração”. Ao contrário do que ocorre dentro de casa, a pessoa  não terá facilitações ao encarar as decepções que a vida, vez ou outra, coloca no caminho de todos.

“Ele se torna uma pessoa sem sustentação emocional para viver em sociedade. Pode ficar apático ou agressivo”, diz Angelita. Assim, é melhor prepará-lo para as frustrações enquanto ainda está sob sua proteção.

Ao estabelecer as regras, pai e mãe devem selembrar das dificuldades e perdas pelas quais passaram e a maneira com que eles mesmos aprenderam a lidar com tudo isso.

Como agir em cada faixa etária

Antes de 1 ano

Atenção dividida
A criança não entende a linguagem verbal, mas aos poucos ganha noção de limites com coisas simples, como, por exemplo, ao dividir a atenção dos pais com o trabalho e outras pessoas

De 1 a 3 anos

Ordem clara
Começa a entender o que é dito. A ordem deve ser clara, mas sem muita explicação. Se ele quer colocar a mão no fogo, diga, objetivamente: “não porque dói, machuca”

A partir dos 4 anos

Diálogo detalhado
Nessa idade, já é possível estabelecer um diálogo mais detalhado e explicar o porquê do “não”. Estabeleça uma consequência para o ato da criança, como “se continuar a correr pela casa, vai ficar uma semana sem jogar bola”. Diga o motivo no máximo quatro vezes, se houver insistência e birra, cumpra sua palavra

Depois dos 8

Barganha
O diálogo nesta época deixa de ser unilateral, e os filhos ganham espaço. Eles descobrem a possibilidade de barganhar. É importante ouvi-los e considerar seu posicionamento, mas não ceda à chantagem emocional

Fonte: Gazeta Online