Após alta da taxa básica, juro cobrado pelos bancos sobe em junho

Os juros bancários médios dos empréstimos para pessoas físicas, com recursos livres (que excluem habitação, BNDES e crédito rural), começaram a subir em junho deste ano, quando avançaram 0,7 ponto percentual, para 34,9% ao ano, informou o Banco Central nesta sexta-feira (26).

Com esta alta, que veio após três meses consecutivos de queda, a taxa cobrada pelos bancos nas operações com as pessoas físicas atingiu o maior patamar em quatro meses, ou seja, desde fevereiro deste ano (35,1% ao ano), ainda de acordo com dados da autoridade monetária.

O aumento dos juros bancários ocorreu após o próprio Banco Central ter iniciado, em abril deste ano, um ciclo de alta dos juros básicos da economia, com o objetivo de tentar conter o crescimento da inflação. Desde então, os juros básicos subiram em três oportunidades, passando de 7,25% para 8,5% ao ano – uma elevação de 1,25 ponto percentual.

Acumulado do ano
No acumulado deste ano, os juros bancários cobrados de pessoas físicas já subiram um ponto percentual, patamar próximo ao do crescimento dos juros básicos, visto que estava em 33,9% ao ano em dezembro do ano passado. Segundo economistas, os bancos se anteciparam ao ciclo de alta dos juros básicos (que teve início em abril) ajustando suas taxas já no início de 2013 – apesar de tere, recuado entre março e maio deste ano.

Taxa de captação e spread bancário
O aumento do juro básico da economia influenciou o chamado “custo de captação” dos bancos, que, nas operações com pessoas físicas, estava em 8,4% ao ano em janeiro. Em maio, a taxa de captação dos bancos estava em 9% ao ano, passando para 10,4% ao ano em junho. No primeiro semestre, o custo de captação dos bancos, nas operações com pessoas físicas, subiu 2,1 pontos percentuais.

O chamado “spread bancário”, que é a diferença entre a taxa de captação dos bancos e os juros cobrados dos tomadores finais do crédito, recuou em junho, atingindo 24,5 pontos – o menor patamar, pelo menos, desde dezembro de 2011. Neste ano, o spread recuou 1,1 ponto percentual.

Além do lucro dos bancos, o spread bancário também é composto pela taxa de inadimplência, por custos administrativos, pelos depósitos compulsórios e pelos tributos cobrados pelo governo federal, entre outros.

Taxa média de empresas e geral
No caso das operações dos bancos com as empresas, ainda com base nos chamados “recursos livres”, a taxa média somou 19,3% ao ano em junho – com alta de 0,8 ponto percentual frente ao patamar de maio (18,5% ao ano). É o maior valor desde agosto do ano passado (19,5% ao ano). No ano, essa taxa avançou 1,3 ponto percentual.

Tamém subiu em junho deste ano a taxa média geral de todas as operações com recursos livres, que somou 26,5% ao ano no mês passado, contra 25,8% ao ano em maio. Também é o maior valor desde agosto do ano passado (26,7% ao ano). No primeiro semestre de 2013, a taxa média de juros bancários avançou 1,2 ponto percentual.

Nova metodologia
A autoridade monetária mudou, no início deste ano, o formato de registro dos dados relativos aos juros bancários e, ao mesmo tempo, também desativou a série histórica que vigorava anteriormente. Pela nova metodologia, as operações com recursos livres (que não têm relação com o crédito direcionado, que é rural, BNDES e habitação) passaram a englobar algumas modalidades de empréstimos, como arrendamento mercantil (leasing), descontos de cheques (operações que se assemelham com “factoring”), além de cheque especial pessoa jurídica e antecipação de faturas de cartão.

Fonte:G1