Adultos com ‘baldinho na mão’

LeonyÉ comum quem tem filhos de um a três anos apreciar seus pupilos com o baldinho na areia da praia ou praça, em meio a outras crianças da mesma idade. No entanto, nesta fase, elas ainda não saboreiam dessa relação. Embora estejam fisicamente juntas, cada qual segue brincando individualmente ao seu jeito, no seu próprio mundo. Alguns pais investem e até insistem em quebrar o silêncio das que ainda não falam, somente para envolvê-las na brincadeira.

Na verdade, uma das funções do baldinho é possibilitar a interação de uma criança com outra, de modo que este saia do centro da atenção, e ceda lugar a socialização, assumindo papel intermediário entre elas. Porém, estando cada uma com seu balde, o envolvimento recíproco pode demorar em função do maior tempo que passam sozinhas com o objeto.

Mas qual relação teria o “baldinho” infantil, com o mundo adulto e os aparelhos?

Primeiro: estimula-se a fala precoce nas crianças, mas desconsidera-se delas o valor de continuar a ouvir, prática natural exercida anterior a linguagem, esquecida pelos adultos.

Segundo: instruem-nas interagir, mas pouco a vivem. Estão todos na era da comunicação sem tato, em função do encontro pela tecla de “contato”.

O que se vê em qualquer ambiente social, são grupos de pessoas reunidas num mesmo lugar, porém, cada uma com o seu aparelho celular no seu mundo ao seu modo. A necessidade da fala como veículo de aproximação pessoal não parece tão atrativa, preferem “estar” on line interno, que externo. Quando expressam verbalizações, mais parecem os solilóquios infantis, aquelas vocalizações que somente as crianças sabem o querem dizer com elas. É… Assim caminham os adultos, balbuciando palavras quebradas.

Diferente do baldinho infantil, necessário na construção da comunicação entre as crianças, o celular deveria ser entendido como útil nas diversas possibilidades não presenciais entre as pessoas, marcando sua retirada mediante a importância da presença dessas, mas não é isso que acontece, mesmo durante uma “interação”, ele continua sendo manuseado. É mesmo um paradoxo, surge para aproximar pessoas, mas as afastam, e essa dissocialização é conferida pelo homem.

É urgente repensar a significação dessa necessidade para a qualidade da convivência, ou permanecer com o “baldinho” na mão, enchendo e esvaziando mensagens, destruindo relações, preferindo coisas em vez de pessoas, regredindo ao montinho de areia.

Reflita sobre isto!

Até a próxima quinzena! Pessoa Autoral, você continua incrível!