Bancários do ES decidem entrar em greve por tempo indeterminado

Paralisação começa nesta terça-feira (30).
Proposta da Federação Nacional dos Bancos foi recusada no sábado (27).

assembleia_25.09_750Bancários de bancos públicos e privados de vários estados do Brasil decidiram em assembleias realizadas nesta segunda-feira (29) entrar em greve a partir de terça (30), por tempo indeterminado, segundo informou em nota a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT). No Espírito Santo, os bancários decidiram que vão manter aberto o autoatendimento das agências bancárias durante a greve da categoria. Segundo o Sindicato dos Bancários do estado, a decisão é válida pelo menos até o dia 7 de outubro, quando o tema será reavaliado em nova assembleia.

A decisão foi tomada em uma reunião realizada às 18h desta segunda-feira (29), para organizar os detalhes da greve no estado. Os trabalhadores querem reajuste salarial de 12,5% e outras reivindicações, como vale-cultura de R$ 112, combate ao assédio moral e fim das metas abusivas. Até as 22h desta segunda, 20 estados confirmaram adesão à greve, além do Distrito Federal: Acre, Amapá, Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe.

O coordenador geral do Sindicato dos Bancários/ES, que representa o Espírito Santo e a Intersindical no Comando Nacional da categoria, Carlos Pereira de Araújo, informou que os caixas eletrônicos vão continuar funcionando para não prejudicar os pagamentos.”Vamos manter abertos os caixas eletrônicos até o quinto dia útil de outubro para não prejudicar o pagamento dos aposentados, que recebem nesse período do mês”, disse.

Bancários rejeitam nova proposta da Fenaban

Após pressão da categoria e aprovação da greve por tempo indeterminado, a Fenaban convocou os bancários para uma rodada de negociação no sábado (27) e elevou a proposta de reajuste de 7% para 7,35% para verbas salariais e de 7,5% para 8% no piso. Mesmo com o aumento, os valores foram considerados insuficientes e a proposta foi rejeitada ainda na mesa de negociação pelo Comando Nacional do Bancários. Na assembleia desta segunda, os bancários do Estado reiteraram a rejeição da proposta.

Segundo a categoria, a proposta da Fenaban ignora as reivindicações sobre emprego e condições de trabalho. “Parece que os banqueiros ainda não entenderam as nossas reivindicações e essa última rodada foi uma provocação para a categoria. Além de não atender as questões econômicas, a proposta não contempla as demais cláusulas. A nossa resposta à Fenaban deve ser uma greve nacional forte. Nossa luta não é apenas por salário e, por isso, convocamos os bancários e bancárias para, juntos, organizamos um forte movimento grevista”, finalizou Carlos.

Principais reivindicações da Campanha Nacional

– Reajuste salarial de 12,5%.

– PLR: três salários mais R$ 6.247.

– Piso: R$ 2.979,25 (salário mínimo do Dieese em valores de junho).

– Vales alimentação, refeição, 13ª cesta e auxílio-creche/babá: R$ 724,00 ao mês

– Melhores condições de trabalho, com o fim das metas e do assédio moral.

– Emprego: fim das demissões e da rotatividade, mais contratações, proibição às dispensas imotivadas, aumento da inclusão bancária, combate às terceirizações diante dos riscos de aprovação do PL 4330 na Câmara Federal, do PLS 087 no Senado e do julgamento de Recurso Extraordinário com Repercussão Geral no STF.

– Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) para todos os bancários.

– Auxílio-educação: pagamento para graduação e pós-graduação.

– Prevenção contra assaltos e sequestros: cumprimento da Lei 7.102/83 que exige plano de segurança em agências e PABs, garantindo pelo menos dois vigilantes durante todo o horário de funcionamento dos bancos; instalação de portas giratórias com detector de metais na entrada das áreas de autoatendimento das agências; e fim da guarda das chaves de cofres e agências por bancários.

– Igualdade de oportunidades para todos, colocando fim às discriminações nos salários e na ascensão profissional de mulheres, negros, gays, lésbicas, transexuais e pessoas com deficiência.

– Estatização do Sistema Financeiro

– Redução das taxas de juros e tarifas

G1