Coral de detentos se apresenta em Vitória

Eles cantaram hinos em homenagem ao mês da independência do Brasil.
Projeto faz parte da ressocialização dos internos de Vila Velha.

presos_orquestra_21_09_2014_25Da Penitenciária Estadual de Vila Velha para os palcos, um coral composto por 28 detentos se apresentou no Teatro do Sesi, em Vitória, na manhã do último domingo (21). O Coral ‘Libertate’ faz parte do projeto de ressocialização dos internos. Eles cantaram hinos pátrios, em homenagem ao mês da independência do Brasil.

Foi a primeira vez que o grupo fez uma apresentação, de acordo com organizadores. Segundo a psicóloga da Secretaria Estadual de Justiça (Sejus), Flávia Borges, a música pode ser uma possibilidade de recomeço. “Eles mudaram o comportamento, se mostram mais colaborativos em relação aos trabalhadores da penitenciária e da família. A gente mostra que há possibilidades para mudanças de comportamento. Eles já se mostraram mais ativos com relação ao que passamos dentro da penitenciária”, disse.

O projeto de recuperação de detentos existe há três anos e é coordenado por uma igreja evangélica de Vila Velha. Ao todo, seis unidades prisionais do estado são impactadas pelo projeto. Além da música, os internos participam de aulas de teatro. Eles cumprem o regime fechado ou o semi-aberto.

Ivan ficou preso por três anos e seis meses. Hoje, ele tem um alvará e responde por tráfico e homicídio em liberdade. Depois de se destacar no projeto, Ivan virou solista e foi contratado. Ele dá aulas de música para outros internos “Eu fazia quando era criança, mas não profissionalmente. Eu tento mostrar para sociedade que é possível viver uma realidade diferente de dentro da unidade prisional. É possível sonhar, é possível viver a ressocialização sim. Música é sentimento, a música tem sabor, tem textura, tem cor. A minha vida não tinha nada disso e agora tem”, disse.

O solista virou exemplo para os outros detentos. Agleucy Venâncio vê o professor e amigo com inspiração para um futuro melhor. “A minha amizade com Ivan aconteceu dentro da unidade prisional. Eu via as dificuldades que ele tinha ali dentro, as dores dele eu senti e depois que ele saiu eu tive e tenho o Ivan como um exemplo. Ele me surpreendeu, de fato”, afirmou.

G1