Reforma tributária na cadeia de suprimentos: quais os impactos?

A forma como empresas lidam com tributos, operações logísticas e decisões estratégicas é o principal impacto da reforma tributária na cadeia de suprimentos. As recentes alterações exigem uma adaptação rápida e coordenada entre os setores para garantir o alinhamento de cada etapa dos processos a essas novas diretrizes.

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Com a unificação de tributos e a mudança para a tributação no destino, os gestores e suas equipes terão que ajustar as estratégias logísticas, revisar contratos comerciais e adaptar seus sistemas fiscais para garantir conformidade.

As novas regras trazem desafios, como a necessidade de revisar rotas, centros de distribuição e custos operacionais, além de influenciar diretamente a escolha de fornecedores e parceiros comerciais.

Conheça as principais mudanças fiscais na cadeia de suprimentos, os impactos da reforma tributária na cadeia de suprimentos e os reflexos no planejamento fiscal logístico e na conformidade tributária da sua empresa.

O que é a reforma tributária?

A reforma tributária é um conjunto de mudanças nas leis fiscais com o objetivo de simplificar o sistema tributário, reduzir a carga tributária sobre empresas e consumidores e promover uma distribuição mais justa da arrecadação entre os estados.

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Com aprovação no final de 2023, por meio da Emenda Constitucional nº 132, a reforma estabelece a unificação de impostos gradualmente, com início dos testes em 2026 e transição completa até 2033.

Nesse intervalo, haverá a divisão da arrecadação entre os entes federativos e as regras para a transição dos tributos atuais para o novo modelo.

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Por conta da relação entre reforma tributária e fornecedores, os gestores precisam preparar suas empresas para mudanças fiscais na cadeia de suprimentos e ajustar o planejamento fiscal logístico, a fim de garantir a conformidade tributária.

Qual o impacto da reforma tributária na cadeia de suprimentos?

Os principais impactos da reforma tributária na cadeia de suprimentos são:

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  • unificação de tributos e criação do IBS/CBS;
  • tributação no destino;
  • fim da guerra fiscal;
  • reestruturação da logística fiscal.

Entenda cada um!

Unificação de tributos e criação do IBS/CBS

Uma das principais mudanças fiscais na cadeia de suprimentos é a substituição de cinco tributos (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS) pelo IBS e CBS, modificação que tem por objetivo simplificar o sistema fiscal.

O IBS é a sigla para Imposto sobre Bens e Serviços; já o CBS significa Contribuição sobre Bens e Serviços. Ambos seguem o modelo de imposto sobre valor agregado (IVA), com cobrança uniforme e não cumulativa, aplicada ao consumo de bens e serviços em todo o país.

No que se refere ao reflexo da reforma tributária na cadeia de suprimentos, nessa modificação as empresas deixam de lidar com legislações diferentes em cada estado e município.

A nova dinâmica reduz a complexidade, diminui erros no recolhimento e melhora a previsibilidade financeira.

Tributação no destino

Atualmente, o ICMS — Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação — incide no estado de origem da mercadoria. Com a reforma, a tributação migrará para o local onde ocorre o consumo.

Aqui, os gestores têm a chance de não precisar escolher centros de distribuição com base em benefícios fiscais e direcionar o olhar para processos logísticos mais eficientes. Estados com mais consumo terão mais arrecadação e haverá melhor distribuição do poder fiscal.

Fim da guerra fiscal

A implementação da reforma tributária elimina a prática de concessão de benefícios fiscais para atrair empresas. Como a cobrança dos tributos será no destino, perde-se o incentivo para instalar operações em estados apenas por vantagens tributárias.

Como resultado, as cadeias de suprimentos se reorganizam. A localização de fábricas e rotas, por exemplo, exigirá critérios técnicos, como proximidade de mercados consumidores e qualidade da infraestrutura.

Reestruturação da logística fiscal

Com a mudança no sistema de tributação e a eliminação da guerra fiscal, as empresas precisarão repensar sua logística fiscal e adaptar-se a uma nova realidade tributária.

Neste ponto, o ajuste nos processos internos é um dos impactos da reforma tributária na cadeia de suprimentos, já que os gestores terão de investir em sistemas de gestão fiscal para acompanhar as novas regras, adequar seus processos de emissão de notas fiscais, controle de estoques e fluxos de pagamento de impostos.

Espera-se também o aumento na eficiência, decorrente da simplificação tributária, que pode reduzir a burocracia e o custo operacional, permitir uma gestão mais eficiente de tributos e uma resposta mais ágil às mudanças fiscais.

Possíveis impactos na escolha e gestão de fornecedores

Reforma tributária e fornecedores têm relação direta. Afinal, a nova lógica de tributação no destino traz uma série de mudanças importantes para a gestão e escolha de parceiros de abastecimento.

Com a alteração das regras fiscais e a unificação de tributos, a forma como os times de compras e procurement selecionam seus fornecedores e gerenciam as cadeias de suprimentos das companhias precisará ser repensada.

Diferentes critérios, como localização da empresa fornecedora, proximidade do consumidor, regime fiscal, transparência dos custos de produção e transporte, devem entrar na conta na hora de identificar o parceiro ideal. Do contrário, haverá mais riscos relacionados a pontos, como aumento de custos logísticos, problemas de compliance fiscal e ineficiência na gestão da cadeia de suprimentos.

A escolha inadequada do fornecedor pode resultar em gastos operacionais elevados, complicações fiscais com a adaptação ao novo sistema tributário e, principalmente, impactos na competitividade e agilidade no atendimento aos consumidores finais.

Reorganização de fluxos logísticos e contratos comerciais

A reforma tributária pode exigir também uma revisão estratégica dos fluxos logísticos das empresas. Com a tributação no destino e a unificação de tributos, aspectos como rotas de transporte, localização dos centros de distribuição e até mesmo os contratos comerciais precisarão de ajustes.

O motivo é que a carga tributária será alocada conforme o local de consumo, o que pode alterar a viabilidade de determinados roteiros. Será necessário repensar processos logísticos, priorizar a proximidade com os consumidores finais e otimizar os custos operacionais, sem a influência das vantagens fiscais estaduais que existiam anteriormente.

Além disso, é preciso pensar também nos impactos do IBS e CBS no varejo, visto que, com a unificação de tributos, as margens e os preços de venda podem sofrer alterações.

A nova tributação afetará diretamente a formação de preços e o cálculo dos custos de operação no ponto de venda, o que exigirá uma reavaliação das estratégias comerciais.

O repasse de impostos para o cliente final também poderá ser impactado e exigir ajustes nas cláusulas contratuais com fornecedores e no planejamento financeiro do varejo.

Desafios para o compliance fiscal na transição de sistemas

O compliance fiscal é um dos grandes desafios na transição de sistemas tributários e exige atenção especial para reduzir o risco de multas e penalidades.

As principais dificuldades se relacionam a:

  • adaptação ao novo modelo de apuração: requer ajustar os sistemas para aplicar corretamente o IBS e CBS e, assim, garantir a apuração precisa de tributos;
  • inconsistências documentais: riscos de erros em notas fiscais e registros tributários, principalmente durante o período de transição;
  • capacitação da equipe: necessidade de treinamentos constantes para garantir que os responsáveis pelo compliance compreendam as novas obrigações fiscais;
  • integração de sistemas: desafios na atualização dos softwares contábeis e fiscais para refletir as mudanças nas regras tributárias;
  • ajustes nos contratos comerciais: necessidade de revisão de cláusulas fiscais e de repasse de tributos para evitar problemas com clientes e fornecedores;
  • fiscalização e auditorias: problemas de inconsistências durante fiscalizações, devido à adaptação gradual aos novos sistemas de apuração e declaração.

Como a gestão da cadeia pode se preparar para um cenário tributário mais complexo?

A gestão da cadeia de abastecimento pode se preparar para um cenário tributário mais complexo ao adotar uma abordagem estratégica e proativa.

Primeiramente, é fundamental realizar um monitoramento contínuo das mudanças fiscais e garantir que a equipe esteja bem- informada sobre os impactos do IBS e CBS no varejo, especialmente em relação à tributação no destino e à unificação de tributos.

Além disso, integrar os setores fiscais de compras e de suprimentos é essencial para alinhar processos e reduzir o risco de erros na apuração e repasse de impostos.

Investir em controle e análise de dados também será essencial para otimizar a gestão tributária e garantir que as operações estejam sempre em conformidade.

O uso de tecnologia para monitorar e ajustar os fluxos de dados fiscais, além de otimizar as decisões de compras e logística, permitirá adaptar a cadeia de abastecimento ao novo cenário e melhorar a eficiência e a previsibilidade financeira.

Este artigo foi escrito pela Linkana, o SRM que conecta sua empresa e seus fornecedores! Homologue fornecedores no piloto automático. Economize tempo nesse processo ao automatizar e integrar aprovações de maneira simples e rápida.